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Sobre a Ciência

Olá Pessoal,

Estou compartilhando um texto que acabei de ler! Acho que será uma grande fonte de reflexão!

Um bom fim de ano para todos e um ótimo Ano Novo!

Abraços,

Flávio Nunes.

E-mail: medvetfisio@gmail.com

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A ciência evolui - para além do acumulo de conhecimento.

Talvez o que distingue a ciência da filosofia seja o empirismo sistemático. Enquanto que a filosofia se preocupa com o que é que podemos saber e como podemos saber, a ciência actua como se a resposta para isso fosse dada pelo próprio progresso do conhecimento.

Em alguns casos em que os principios filosóficos da ciência não eram suficientes para continuar a progredir, a estrutura procedural da ciencia alterou-se de modo a conseguir encontrar mais respostas. Um bom exemplo foi a passagem do verficacionismo para o falsificacionismo(1), notada à posteriori pelos filósofos da ciência. À posteriori porque a ciência já estava a funcionar com a forma de falsificacionismo mais actual quando Popper lançou as linhas mais gerais. Darwin e Einstein foram os verdadeiros revolucionários.

Ambos mostraram como o conhecimento continuava a progredir sem que a ciência se validasse "à moda antiga". Observaçao direta e verificacionismo ficavam obsoletos ainda antes de ser decretado o seu fim.

O empirismo sistematico e metodologico não foi ultrapassado mas ganhou uma nova dimensão ao admitir-se que se conseguimos prever o futuro além de explicar o passado, em relação a uma determinada questão, é porque provavelmente conhecemos um fenómeno.

A plausibilidade

E "provavelemente" é o melhor que podemos dizer. Porque provavelmente não podemos ter a certeza de nada. E em termos absolutos a ciência não deveria provar ou validar-se a si própria. Daria um problema de auto-referencia sem solução. Mas este é um problema para qualquer forma de conhecimento. Pois se tentamos justificar esse conhecimento com os próprios conhecimentos, seja ele qual for, estamos a cair em auto-referência.

Como é que saímos deste impasse? De modo absoluto não creio que tenha solução. Ou seja, penso que haverá sempre coisas que teremos de assumir como sendo verdadeiras, ainda que apenas provisóriamente. O que se impoe então é saber se o conhecimento que se adquiriu é ou não o melhor que se pode fazer. Qual a plausibilidade relativa do que acreditamos.

A ciência é um integrado complexo

E aqui a ciência tem um comportamento de predador. Se uma solução serve para explicar melhor um fenómeno, venha essa solução de um filosofo ou de um teologo, ela é aceite. Porque existe uma linha de intersecção larga da ciência com a filosofia. Enquanto que eu comecei este texto por dizer que provavelemente aquilo que distingue a ciência da filosofia, a realidade é que existem muito mais coisas que as unem, pois a ciência não é apenas empirismo.

Parte da ciência, e uma parte consideravel e importante é a discução aberta. Provavelmente é esta discussão aquilo que a valida. Que a valida, não como verdade absoluta, mas como explicação plausível ou como sendo o melhor que se pode. E isto não é muito diferente do que fazem os filósofos. Sobretudo se verificamos que a ciência açanbarcou ferramentas como por exemplo o pensamento crítico. Ferramentas essas que vêm da filosofia. Alias muito do que é ciencia hoje já foi filosofia no passado. Mas o que quero deixar explicito é que essa diferença, a linha entre a filosofia e a ciência não é clara. Tal como não é facil distinguir ciência de pseudociência. Em ambos os casos porque uma "canibaliza" conceitos da outra, mas o que se passa nas pseudociencias é que não há repeito pela consistencia e os conceitos são escolhidos ad-hoc. Mas isso é outra discução.

Outra area que importa fazer uma grande menção honrosa é a matemática. Sem matemática não há ciência. É assim tão simples e tão obvio. Enquanto linguagem a matemática providencia à ciencia uma base clara de descrever muitos fenomenos. Enquanto processo, a matemática dá à ciência a capacidade de usar os seu metodos para produzir mais conhecimento e analizar informação. Que a matemática prossiga autonomamente, o que acontece quase sempre, não é um problema. É uma vantagem. A titulo de curiosidade, diga-se que há matemáticos que defendem que a matemática é uma area de conhecimento empirica. E eu tambem penso assim. O que faria dela uma ciência completa.

Plausibilidade pela consistência

Outra linha de validação do conhecimento cientifico e que aumenta não a veracidade absoluta de uma preposição mas acrescenta muito acerca da sua plausibilidade é a consistência interna da ciência. Se conseguimos verificar a mesma teoria por linhas de investigação diferentes, temos aqui um argumento de consistencia. E mais importante ainda, se essa nova teoria se consegue integrar lógica e matemáticamente num quadro cognitivo maior, com as outras teorias todas que conseguimos descrever antes por origens diferentes e em areas diferentes, temos que a plausibilidade dessa teoria ou explicação aumenta muito. Porque demosntram consistência. A biologia não pode ser feita de teorias incompativeis com a quimica ou com a física por exemplo. Tudo tem de funcionar articuladamente. Se isso não acontece, então temos um problema. Como por exemplo a integração da mecanica quantica com a relatividade. Um grande problema. Mas como tenho dito, mesmo sabendo que há algo errado e por resolver, não é por esse facto que deixam de ser a melhor explicação possivel. Isso acontece, obviamente quando aparecer uma teoria que o faça melhor. A teoria das cordas está no bom caminho.

Mas este post não é sobre casos específicos, é sim sobre a validação da propria ciencia enquanto conhecimento. E do que se pode esperar do significado de uma validação do conhecimento. Porque como propuz logo ao principio, não podemos de um modo "à prova de bala", justificar um conhecimento com ele próprio. A auto-referencia é um erro de raciocínio. Em ciência e em filosofia. Por outro lado, obviamente, este não é um problema da ciência, mas sim de toda e qualquer forma de conhecimento que se queira fechar em si própria. E é essa a solução que a ciência encontrou. É manter várias vias de validação a funcionar ao mesmo tempo enquanto se assegura que existe consistencia ( não haver contradições lógicas formais ou informais) entre essas vias todas e dentro dela própria.

Negacionismos absolutos e afins são auto-refutantes.

Este argumento é à prova de bala? Mostra para alem de qualquer objecção que a ciência se pode validar a ela própria? Não. Até porque podemos estar todos a viver na "Matrix" e não saber. Mas encontrar uma consistencia satisfatória no conhecimento gerado enquanto se procura manter uma ancora na realidade através do empirismo metodico e sistemático diz muito acerca da plausibilidade do conhecimento cientifico. Tanto que não sendo possivel dizer que a ciencia alcança certezas, se pode mostrar, pela integração de todas estas ferramentas, que é o melhor que o ser humano consegue para produzir conhecimento.

A não se que se assuma que a verdade não existe. E que uma crença é tão verdadeira como qualquer outra, independentemente da justificação que tenha.

Mas a ciencia é acerca daquilo que se pode saber, não é do que não se pode. Mas o que não se pode saber, nós não sabemos o que é. Não sabemos nada. De momento. Por isso, tentar adivinhar não vale. Porque isso não é nada. E mesmo que esta realidade seja virtual, para já é tudo o que podemos esgravatar para tentar preceber de onde veio. E sem duvida comprender como se comporta. Mesmo que seja virtual, é o mundo que nos afecta. E mesmo que só possamos chegar a verdades incompletas sobre uma realidade virtual, então é melhor que nada.

Usar isto como argumento para colocar o palpite ao nivel de uma forma de conhecimento é errado. E quem não acha que pode construir conhecimento então não vale a pena sequer discutir, porque nunca se vai saber o resultado da discoção, nunca vai saber se a cada momento o argumento é valido, não vai saber nada. Para ilustrar esta situação, proponho uma refleção sobre a frase:

"É verdade que a verdade não existe".

Conclusões

Em resumo, o que torna a ciencia especial e aquilo que a torna o sistema cognitivo preferido dos cepticos é um conjunto de coisas e a intergração destas. A saber, a matemática, a lógica, pensamento crítico, a abertura a refutação e a procura de extrair informação do meio exterior.

Não se pode provar a ela própria, mas nada pode. Pode sim dizer-se que é o melhor que se consegue e que isso já é algo, porque consegue explicações plausíveis. E capazes de prever o futuro. E capazes de fazer evoluir o próprio processo de conhecimento. A própria ciencia, como referido acima evolui.

Por ultimo gostava de voltar aqui a referir que usar aquilo que não sabemos para provar algo é uma falácia. Dizer " a ciência não explica tudo" ou "a ciência tem limites" para provar algo não serve. Se queremos provar como conhecimento uma crença qualquer temos de o fazer em relação às preposições resultantes dessa crença e de como elas podem ser validadas.

Se acreditamos que as crenças são todas iguais e que não há nada que possa ser justificavel, ainda que parcialmente, então nem vale a pena começar um argumento, porque está perdido à partida.

Notas:

(1) Popper foi refutado ainda em vida acerca do falsificacionismo. Ficou no entanto de pé uma forma menos forte em que o que se testa são condições associadas à teoria, uma vez que a critica que lhe foi feita consistia em que às vezes testar diretamente uma teoria em relação ao que ela prevê é impossivel. Popper para o fim da vida dedicou-se a tentar determinar quais as caracteristicas dessas condições associadas que podem e são testadas. De um modo geral, a capacidade de uma teoria fazer previsões que sejam verificadas não foi derrubada. Apenas o modo como é feito. As teorias ainda têm de fazer previsões, ainda que não diretas.

Diálogo: Ciência x Religião (Parte I)

Olá Pessoal,

Após alguns meses sem postar nenhum texto, eis que retomo a atividade com um novo artigo de minha autoria. Nele eu abordo um tema ainda em voga na atualidade; o diálogo entre Ciência e Religião.

Não aprofundarei o tema, mesmo porque tem tanto que já foi dito e tanto ainda para ser discutido e dialogado. Entretanto, em linhas gerais, apresento minha opinião sobre o tema e minha principal linha de pesquisa. Há tanto para ser acrescentado e discutido, e este artigo é apenas uma centelha diante da vastidão que ainda está por vir nos próximos meses e anos.

Espero que gostem do texto e espero suas opiniões,

Abraço,

Flávio S. Nunes
E-mail: medvetfisio@gmail.com


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Uma reflexão pessoal sobre ciência e religião

(Parte I)

Flávio S. Nunes.

Introdução

A quase dois anos, enveredo-me pelos estudos que buscam unir os pensamentos científicos e religiosos. Busco entender e refletir sobre os pontos de concordância e discordância que há nesse diálogo, muitas vezes tão desnecessariamente tenso.

Já aqui, no começo da minha explanação, vale dar ênfase a um fato importante e que se encontra no meu discurso e formulação de pensamento: Estou convicto que pode sim haver um diálogo sadio e não-agressivo entre ciência e religião!

Sou o “atalho” de todos os conceitos que já li, refleti e absorvi. Meu ponto de vista pode ser semelhante a tantos outros, contudo jamais será igual. Minha forma de conceber o mundo é diferente de todos os demais indivíduos existentes no planeta. Tal fato porta-me a criação de um conceito particular sobre ciência e religião; semelhante a alguns e diferente de tantos outros.

Meus conceitos e fundamentos científicos, no que diz respeito à integração entre Ciência e Religião, é semelhante ao que entende-se por “Matrimônio”. Neste, dois indivíduos, um homem e uma mulher, distintos entre si, enamoram-se e desejam, num determinado momento, viverem juntos para o restante dos seus dias. Conhecendo-se mutuamente a cada dia, ajudando um ao outro a melhorar suas partes falhas, trabalhando e desenvolvendo os pontos comuns, compreendendo compassivamente os pontos falhos do outro. Estes são apenas algumas de tantas outras características satisfatórias que pode ocorrer se ciência e religião um dia resolverem se casar!

Este texto é um esboço inicial, onde introduzo meus conceitos e começo a desenvolver, de forma concisa, minhas observações pessoais, reflexões e projeções sobre este tema ainda tão em voga na atualidade: Ciência x Religião!

Linhas Iniciais

Em minhas pesquisas não vejo motivos para discordar dos trabalhos publicados sobre evolução e outras áreas afins. Acredito que os estudos produzidos por tantos ilustres cientistas nas últimas décadas, e contemporaneamente, forneceram e ainda fornecem dados importantes sobre a evolução dos seres vivos. Acredito que a terra tenha alguns bilhões de anos e que as primeiras formas de vida surgiram a alguns milhões de anos. Não obstante a esta minha crença cientifica, e às pesquisas que venho empreendendo, acredito em Deus. Por que não acreditaria? Entretanto não confundam minha crença e minha fé; não sou Criacionista e nem adepto fiel do “Designer Inteligente”!

Só por expor este ponto de vista, que gera no meio religioso e acadêmico inúmeros “atritos”, alguns cientistas poderiam dizer: “Hipócrita! Isso não é fazer ciência! Não sabe do que está falando”. Enquanto isso, por outro lado, alguns religiosos talvez diriam: “Não se pode obedecer a dois deuses! Se acreditasse realmente em Deus, descartaria tais pensamentos científicos”. Acredito que todos aqueles que pensem dessa forma, sendo iletrados, ateus, religiosos, graduados e/ou pós-graduados; possuem um “véu espesso” diante dos olhos. Tal “véu” bloqueia suas percepções de mundo. São pessoas certamente individualistas, e que comungam de uma pseudo-intelectualidade, enraizada numa conduta puramente ideológica.

Enquanto a base do diálogo for “o meu é melhor do que o seu”, ou ainda “o meu é superior ao seu”, enquanto isso ocorrer, nunca chegarão num denominador comum. Sempre haverá “guerras” e conflitos!

Penso que, sobre esta ótica, ambos estão errados e precisam amadurecer o seu lado antagônico. Ao menos conhecê-lo melhor. Após o conhecimento mutuo, se ainda restar divergências, tal fato dever-se-á à percepção que o individuo tem de mundo, que de uma maneira ou de outra, é fundamentada na ausência de compaixão, empatia e diálogo. Certamente faltou-lhe diálogo e liberdade de pensamento, ainda nos primórdios de sua vida, ou seja, no inicio do seu desenvolvimento intelectual. Certamente certas “verdades” lhe foram impostas ao invés de discutidas e ponderadas.

Conduzidos pela linha cultural dos últimos três séculos, e pela pronunciada individualidade que vem tomando conta da sociedade atual, defender o próprio ponto de vista torna-se questão de vida ou morte. Para alguns é uma questão de racionalidade, para outros tantos uma questão de “acreditar sem ver”! Ambos possuem fé que aquilo em que acreditam gerará frutos num futuro não muito distante e que o seu opositor será “esmagado” pelo peso da verdade incontestável de seus argumentos. Quanta tolice! Há respeito em tais argumentos? Há integração e diálogo? Infelizmente a resposta é negativa para ambas as perguntas.

Descobri que não somos seres constantes e nada do que produzimos é uma verdade eterna e absoluta. Estamos todos num estável e ininterrupto desenvolvimento. Desenvolvimento emocional, psicológico, moral, ético, anatomo-funcional, entre outros. Isso é algo falado e explicado tanto por cientistas quanto por religiosos. Ambos comungam dessa premissa. Estanho não entrarem num acordo ano menos nisso, você não acha? É difícil saber que o opositor está certo em alguns aspectos e concordar com isso! É “mais fácil” discordar, gerar pontos de tensão e contra-argumentar, desenvolvendo outras interpretações de um mesmo aspecto e/ou ponto de vista. “Blá, blá, blá”, a mesma coisa dita com inúmeras outras palavras!

Influências: Base Conceitual

A ciência está em evolução, assim como a religião o está. Isso faz com que todos nós, humanos (E o restante dos seres vivos), que vivem individual e coletivamente, soframos influencias capazes de tirar-nos do “ponto de equilíbrio” e colocarmo-nos no rumo do “vir a ser”! O amadurecimento faz parte da natureza de qualquer ser vivo. Não tenha dúvidas, todos evoluímos e isso é um processo contínuo!

Consciente ou inconscientemente, em maior ou menor intensidade, todo e qualquer ser vivo está neste exato momento sofrendo influencias do meio em que se encontram. Para todos aqueles que estão começando a estudar assuntos relacionados à Evolução, eis uma pergunta para meditação: Como, ao longo de milhares e milhares de anos, um grupo de indivíduos, de um táxon por exemplo, pode perder ou acrescentar uma característica à sua constituição física e/ou psico-emocional? A não ser quando ocorre uma mutação abrupta, não vejo outra saída senão uma mudança gradual e paulatina. Estas mudanças são tão marcantes e significativas que chegam ao ponto de fazer o metabolismo aumentar ou diminuir; faz com que no lugar onde havia uma película de lipídio e proteínas, surja algo mais denso, chegando a formar-se “placas” de proteção, e destas surgem anexos como pêlos em uns e penas em outros; faz com que patas tornem-se nadadeiras, entre outras coisas fantásticas. Tudo isso, ligado diretamente ao meio onde cada individuo, ou um grupo de indivíduos, estão inseridos.

Os individuos “caminharão” mais ou menos, de acordo com aquilo que para eles, ou para o grupo, seja prioritário. Falando dos seres humanos, todos possuem condições de desenvolverem suas faculdades mentais em condições semelhantes de importância; salvo os que nascem com alguma anomalia anatomo-fisiológica e/ou genética, que os proíbem de atingirem elevados graus de desenvolvimento. Vale lembrar aqui que há aqueles que nascem com um alto grau absorção de informação. Não são muitos, mas merecem destaque.

Há uma distancia gigantesca entre perceber, assimilar, modificar e renovar. Mas nada que milhões de anos não dêem jeito. Como acham que chegamos onde estamos? As mudanças são, na maioria das vezes, quase insignificantes, contudo sempre estão presentes.

Com o advento da física quântica, muito do que tínhamos como pequeno, tornou-se “quase invisível”. Consequentemente o entendimento e a visualização da proporção de modificações “micro” elevaram-se drasticamente. Numa escala micro, uma partícula pode influenciar outra e isso pode levar à estabilidade ou a instabilidade de determinadas estruturas, tanto micro quanto macroscopicamente. Eis aqui uma constante influencia que sofremos e que dia após dia passa, desapercebidamente, pelos nossos sentidos. Está acontecendo agora, e agora, e agora, etc; tendendo ao infinito. Pequenas influências, constantes, contínuas, e que por milhares de anos geram modificações em todos nós.

Fisiologia Evolutiva

Dedico-me à pesquisa e ao estudo das ciências naturais. Uma das áreas de maior destaque em meus estudos é a Fisiologia Evolutiva. Esta objetiva elucidar a maneira como os organismos funcionam, e de que forma estes padrões funcionais possibilitaram seu sucesso e a ocupação de diferentes hábitats ao longo do tempo, evidenciando relações filogenéticas.

As grandes áreas que se integram e fazem parte da abordagem integrativa da Fisiologia Evolutiva são: Fisiologia, Ecologia e Comportamento. Dentro destas, destacam-se as subáreas Ecofisiologia e Fisiologia Comparativa. Na primeira, elucidam-se os caracteres e demonstra-se o significado destes para a sobrevivência do organismo no ambiente natural. Na segunda, a maior contribuição está no corpo de dados acumulados sobre o funcionamento de características fisiológicas em diversos grupos. Assim, Fisiologia Evolutiva também tem implicações nos estudos de biogeografia e diversidade (Silva e Brito, 2009).

Os organismos possuem mecanismos fisiológicos e/ou comportamentais que lhes permitem permanecer e estabelecer populações nos mais variados ambientes. Pouco se sabe sobre a cadeia detalhada de eventos que ocorre em um organismo, a partir de um estímulo ecológico sobre uma população natural, e a manifestação da resposta nas características fisiológicas. O paradigma geral é que os genes codificam o fenótipo, o fenótipo determina o desempenho do organismo no ambiente natural, o desempenho determina o sucesso daquela linhagem (fitness) e este determina a freqüência de alelos no pool gênico da próxima geração (Garland e Carter, 1994). Os detalhes do que ocorre em cada um dos passos cabe à Fisiologia Evolutiva.

A abordagem bioquímica pode ser usada para estudar o significado evolutivo da variação genética em um gene específico em resposta a mudanças ambientais (Garland e Carter, 1994). A Fisiologia Evolutiva aprofunda-se na interface ambiente-fenótipo, fazendo correlações entre ambos, com o pressuposto de que variações na fisiologia tenham bases na expressão genética. No entanto, pouco se conhece sobre a herdabilidade de caracteres fisiológicos e plasticidade fenotípica (Silva e Brito, 2009).

Ambos os efeitos, genético e ambiental, durante o desenvolvimento e ontogenia do indivíduo, determinam mudanças em características bioquímicas, fisiológicas ou morfológicas (Svidersky, 2000). Atuando em conjunto, essas características determinam o desempenho do organismo como um todo. Tal desempenho define a extensão ou os limites das capacidades de um organismo, e o comportamento, por outro lado, indica como um organismo usa essa capacidade. A seleção, por sua vez, atua mais diretamente no comportamento, porém o comportamento é limitado pelo desempenho (Garland e Carter, 1994). Por isso, as variações genotípicas ou bioquímicas deveriam estar sujeitas à seleção se elas tivessem efeito no nível do desempenho do organismo e, portanto, comportamental. A definição operacional de seleção natural como uma correlação entre fitness e fenótipo nos conduz a possibilidade de que efeitos ambientais atuem diretamente no desempenho ou comportamento (Silva e Brito, 2009).

Além do exposto acima, a Fisiologia Evolutiva leva em consideração três fatores para a sua completude: A Seleção, o Tempo e a Adaptação Fisiológica. Alem disso tanto a Ecofisiologia quanto a Fisiologia Comparativa, áreas que se integram dentro da Fisiologia Evolutiva, utilizam três técnicas atuais para refinarem seus estudos: 1) Métodos Filogenéticos Comparativos; 2) Estudos de Seleção e 3) Técnicas de Genética.

Não é o momento de desenvolver nenhum destes temas no presente artigo, contudo o conhecimento de tais tópicos serve de base para futuros diálogos. Estes estudos vêm trazendo grandes contribuições ao mundo acadêmico e à sociedade como um todo.

A integração de pesquisadores oriundos das diversas áreas, que mantenham o apreço em tratar das questões científicas à luz da multidisciplinaridade, e estejam dispostos a fazer uso do vasto arsenal instrumental de que se dispõe, trará, certamente, contribuições muito significativas para o entendimento da história evolutiva da vida na Terra (Silva e Brito, 2009).

Conclusão

Meus esforços estão voltados para o desenvolvimento de uma metodologia capaz de levar ao publico, de uma maneira geral, o sentido integrador entre ciência e religião.

É preciso fazer as partes, de uma lado a ciência e do outro a religião, encontrem um ponto de equilíbrio. Cada uma com sua essência, entretanto ambas desenvolvendo um dialogo produtivo e harmonioso, para maior gloria da natureza e da humanidade. Um “casamento” onde diferentes indivíduos, distintos entre si, enamoram-se e decidem partilhar uma vida em comum.

Somente quando este enamoramento ocorrer, só neste momento, poderemos vislumbrar uma cultura realmente unitária e fraternal surgir e perpetuar-se. Não existirá mais superior ou inferior, melhor ou pior; existirá apenas seres intelectualmente capazes, evoluindo sinergicamente, mesmo cientes dos seus limites e incapacidades.

Referências Bibliográficas:

Garland, T.; Carte, P.A. (1994) Evolutionary Physiology. Annual Reviews Physiology. 56: 579-21.

Silva, M.; Brito, A. (2009) Darwin e sua Blasfema Teoria. In: Livro do VI Curso de Inverno – Tópicos em Fisiologia Comparativa, Unidade 4: A curiosa saga da Fisiologia Evolutiva – USP.

Svidersky, V.L. (2000) Tasks and Perspectives of Development of Evolutionary Physiology. Journal of Evolutionary Biochemistry and Physiology. 36 (3): 223-234.